Pular para o conteúdo
Ouvir o Brasil

Período 01 de 10 13 músicas

1900–1919 Antes e depois do disco

Abertura

A seleção começa depois da abolição jurídica da escravidão, em 1888, e da proclamação da República, em 1889.12 O repertório permite acompanhar quem podia ocupar palcos, festas e espaços de prestígio nessa sociedade: a discussão sobre «Corta-jaca», por exemplo, envolve hierarquias entre práticas musicais.

O disco ampliou a circulação musical sem substituir partituras, apresentações e festas. As gravações brasileiras da Casa Edison a partir de 1902 conviveram com outros suportes, inclusive os cilindros comerciais anteriores.3

Lundu, modinha, maxixe, choro, marcha e toada aparecem aqui em espaços e usos diferentes: o carnaval de «Ó abre alas», o escândalo de «Corta-jaca», as rodas associadas a «Pelo telefone» e a lembrança rural de «Luar do sertão». «Vassourinhas» acrescenta o carnaval do Recife e uma formação do frevo que reúne influências de bandas e gêneros dançantes.4 Essas diferenças permitem discutir o pós-abolição, hierarquias sociais e disputas pelo espaço público a partir de práticas musicais que coexistiam.

A imigração participa também da organização desse mercado. Frederico Figner, fundador da Casa Edison em 1900, nasceu na Boêmia, passou pelos Estados Unidos e se estabeleceu no Rio; os discos gravados na cidade eram prensados em Berlim. A ligação entre artistas locais, um empresário imigrante e a fabricação no exterior situa «Isto é bom» numa rede internacional de trabalho e comércio.5

Músicas do período

  1. 1899 Ó abre alas Chiquinha Gonzaga Chiquinha Gonzaga (1847-1935) compôs esta marcha em 1899, no Andaraí, para o cordão Rosa de Ouro; o Instituto Moreira Salles a considera a primeira canção carnavalesca brasileira e o ponto de fixação…
  2. 1902 Isto é bom BahianoXisto Bahia O lundu de Xisto Bahia (1841-1894) recebeu em 1902 a gravação que o IMS consagra como o disco pioneiro lançado no país: voz de Bahiano (1870-1944), piano, selo Zon-o-phone, produção da Casa Edison de…
  3. 1909 Vassourinhas Matias da RochaJoana Batista Associada a Matias da Rocha e Joana Batista, a marcha do clube carnavalesco Vassourinhas, do Recife, é datada de 1909 pelas pesquisas de Evandro Rabello citadas no dossiê do IPHAN. Conhecida…
  4. 1912 Lua branca Chiquinha GonzagaGastão Formenti A modinha nasceu como a canção cômica "Siá Zeferina", de Chiquinha Gonzaga, na burleta Forrobodó, estreada em 11 de junho de 1912 no Cine-Teatro São José, no Rio de Janeiro. A peça, escrita em gíria…
  5. 1914 Apanhei-te, cavaquinho Ernesto Nazareth A polca de Ernesto Nazareth (1863-1934) foi publicada em 1914 pela Casa Mozart e é um de seus maiores sucessos, com centenas de gravações e várias letras posteriores. Escrita para piano, imita o…
  6. 1914 Corta-jaca Chiquinha Gonzaga O tango de Chiquinha Gonzaga, composto no fim do século XIX e depois conhecido como "Corta-jaca", provocou crise política em 26 de outubro de 1914: Nair de Teffé, mulher do presidente Hermes da…
  7. 1914 Luar do sertão João PernambucoCatulo da Paixão Cearense A toada "Luar do sertão", associada a João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, apareceu em 1914, com uma disputa de autoria que envolve a possível adaptação de um tema tradicional. Seu percurso…
  8. 1916 Pelo telefone DongaMauro de AlmeidaBahiano A partitura de "Pelo telefone" foi registrada na Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916 com a assinatura de Donga (1890-1974), que depois dividiu a autoria com Mauro de Almeida (1882-1956). A…
  9. 1917 Tico-tico no fubá Zequinha de Abreu Zequinha de Abreu (1880-1935) apresentou o choro em 1917, num baile em Santa Rita do Passa Quatro, ainda como "Tico-tico no farelo"; a primeira gravação só saiu em 1931, pela Orquestra Colbaz, no…
  10. 1917 Rosa Pixinguinha Em 1917, o grupo Choro do Pixinguinha gravou duas composições do próprio Pixinguinha (1897-1973): o choro "Sofres porque queres" e a valsa "Rosa". A valsa voltaria a fazer sucesso em 1937, na voz de…
  11. 1917 Sofres porque queres Pixinguinha Também de 1917 é este choro, um dos mais antigos de Pixinguinha, gravado por ele mesmo na flauta (Odeon 121.364) e editado no mesmo ano pela Casa Beethoven, antes de entrar no repertório d'Os Oito…
  12. 1919 O pé de anjo Francisco AlvesSinhô A marcha de Sinhô foi gravada em outubro de 1919 por Francisco Alves, então estreante, com o Grupo dos Africanos, e lançada em 1920 no disco Popular R 1008/1009, virando sucesso do carnaval daquele…
  13. 1919 Um a zero PixinguinhaBenedito Lacerda Compôs-se "Um a zero" em 1919, segundo Sérgio Cabral, em homenagem à vitória brasileira sobre o Uruguai no Campeonato Sul-Americano daquele ano; a gravação de estreia, porém, só saiu em 1946 (Victor…